Cam e Landon se conhecem após ele salvar a vida dela. A partir daí criam-se laços; lembranças são trazidas novamente à superfície da mente de Cam e acontecimentos inesperados os obrigam a unirem-se para descobrirem a verdade e correm perigos que nem imaginam.


Sonho e Medo é um romance que envolve mistérios, descobertas, receios e acima de tudo sentimentos que surgem sem serem notados.


Uma história fictícia mas que reflete muitos sentimentos e atitudes reais que fizeram e ainda fazem parte da vida de muitas pessoas, ou poucas delas.

domingo, 27 de março de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 1 - Profundo sonho

 Era uma fria tarde do mês de Agosto e lá estava Cameron... Sozinha, estendida entre as folhas e árvores da floresta que não era muito afastada de sua casa. Ela havia caminhado para lá para se perder, se esquecer, e apagar certas lembranças de sua mente, mas em vez disso ela foi relembrada ainda mais do que queria esquecer. Ela tinha caminhado até o riacho no interior da floresta para olhar seu rosto refletido nas águas...

 Mergulhou o mais profundo que pode para tentar afogar no riacho as lembranças que rondavam sua mente, mas ainda submersa, viu o rosto daquele que ela queria esquecer e agoniou-se querendo emergir mas sem conseguir. Engolindo grandes goles d'água e lutando consigo mesma para voltar à superfície, conseguiu aos poucos aproximar-se da margem. Mas ainda sufocando e sem conseguir abrir os olhos, ao tentar levantar-se para sair totalmente da água e recolher-se em terra firme, suas pernas lhe falharam e ela bateu sua cabeça em uma pedra na margem do rio. Com apenas a pouca força que lhe restava, pode apenas ficar com uma parte de seu corpo fora d'água pois suas pernas ainda permaneceram nelas. Depois de alguns minutos conseguiu arrastar-se aos poucos para fora do riacho. E lá ela se encontrava: sozinha, estendida entre as folhas e árvores da floresta. Tossindo para expelir a água de seus pulmões, e sentindo a dor da pancada em sua cabeça. O frio passou a percorrer os ares da floresta e a atingiu... Com a força do resultado do ferimento em sua cabeça ela acabou por adormecer, ou desmaiar. O corpo dela estendido ao chão da floresta, com as roupas molhadas, sentia o frio e então tremia. Como sinal do que lhe ocorria, seus lábios perdiam o rosado e tornavam-se um tanto azulados. Mas ela ali estava, inconsciente e não apresentava sinais de luta para recuperar-se.

 Passos surgiram próximo ao local onde ela se encontrava, Cam nada ouvia, estava adormecida. Aos poucos os passos tornaram-se mais audíveis e então, o dono dos passos, ajoelhou-se ao lado de Cam. Olhou-a, e fixou-se no rosto dela. A pele extremamente branca e pálida, o corte profundo na testa ainda sangrando, os lábios azulados. O clima ficava cada vez mais frio e ele então deu-se conta das vestes molhadas dela. Sua expressão traduzia o que pensava: “Como aquela garota estava ali? O que havia ocorrido? Quanto frio ela deveria estar sentindo? Apenas com aquele longo vestido de veludo azul escuro totalmente molhado? Ela morrerá se ficar aqui...”

 Com profunda preocupação por aquela garota que ali estava, decidiu ajudá-la, mesmo não a conhecendo. Ao tocar nela, sua mão surpreendeu-se com o calor que ela emitia, pois tinha febre. Ele então, retirou de seus ombros sua longa capa preta, um sobretudo, e a envolveu com ele para protegê-la. Movendo seus braços, tomou-a em seu colo e a carregou pela floresta, passando por entre muitas árvores enquanto o frio invadia ainda mais a floresta que já perdia a luz do sol para a noite. A noite que roubava a cena, enquanto a luz solar era trocada pela luz das estrelas e da Lua. Que roubava o pouco ar quente do dia e invadia com sua brisa e ventos frios. A noite que tirava os raios de luz por entre as árvores da floresta e tornava tudo sem brilho, sem vida, colocava aquele lugar em profunda escuridão.  

Até que chegou em sua casa, e foi recebido por sua irmã surpresa ao ver a garota que ele carregava. Ela imediatamente deu passagem a ele e o seguiu até o quarto para onde ele a levou. Preocupada com a jovem estranha que seu irmão trazia, ela indagou a ele:
 - Onde a encontrou? Quem é ela?
 - Não sei. Mas estava um pouco afastada da margem do rio, com este corte na cabeça e as roupas dela estão completamente molhadas. Arranje roupas para ela minha irmã, enquanto isso prepararei algo para cuidar do ferimento dela.  
 - Sim, farei isso agora. Antes de entrar quando voltar com os curativos, bata na porta para ter certeza que eu já tenha trocado as vestes dela.
Prontamente, Lois arrumou roupas para Cam e a vestiu. Ajeitou os travesseiros para que a hóspede estranha ficasse bem acomodada. Cobriu-a devido aos calafrios ocasionados pela febre. Logo seu irmão retornou e ela o permitiu entrar no quarto. Ele está com curativo e compressas para baixar a febre. Cuidaram dela e depois a deixaram descansar. Já fora do quarto Lois indagou ao irmão como ele havia encontrado e ele então contou a irmã. Disse-lhe que estava andando pela floresta e a avistou ao chão.

 - Não a conhece? Não havia alguém próximo ou com ela? - indagou Lois.
 - Não. E quase ninguém anda por essa floresta Lois. Não havia ninguém com ela e ela estava longe demais de qualquer lugar em que alguém pudesse estar perto ou conhecê-la.
 - Ninguém além de você caminha quase sempre por lá. Então se você não estivesse lá hoje, ela poderia morrer e ninguém saberia por algum tempo. Se ela não acordar logo, teremos que descobrir de onde ela é e quem a conhece por que com toda certeza irão procurá-la.
 - Sim, mas eu não creio que ela acorde antes do amanhecer. Vou sair e voltar para as proximidades de onde ela estava e procurar por casas e pessoas pro lado de onde ela deve ter vindo. Cuide dela.
 - Sim vá, eu cuidarei dela.

Lois permaneceu cuidando de Cam, colocando compressas sobre a testa dela para manter a febre baixa e certificar-se que Cam se recuperava. Lois preparou algo para sua hóspede comer caso acordasse, e depois a deixou no quarto e foi cuidar das roupas molhadas.
Enquanto isso, o irmão de Lois voltou ao lugar onde encontrou Cam e andou dali em diante, procurando por pessoas ou alguém que talvez pudesse estar dando falta de uma garota perdida. Mas foi em vão. Ele não podia simplesmente sair perguntando a alguém se alguma garota havia sumido, se alguém a conhecia enquanto nem ele mesmo sabia o nome dela, não sabia nada dela. Era em vão procurar por alguém que nem ele mesmo conhecia ou tinha qualquer conhecimento. Retornou para casa.
Eles moravam como que do outro lado da floresta. Se seguissem pela estrada ela daria a volta e lá poderia encontrar a casa deles. Do lugar onde ele encontrou Cam até à casa não era muito longe. Mas de onde Cam morava até onde ela estava quando ele a viu era 3 vezes a distância da floresta à casa dele.

 - Teremos que esperar até que ela acorde Lois. Não temos como descobrir nada, nem ao menos sabemos o nome dela.
 - Sim é verdade. Não há problemas, ela dormirá aqui e tenho certeza que amanhã estará melhor e poderemos ajudá-la.
 - E como ela esta?
 - Estava tossindo à pouco, mas já parou um pouco. Fiz com que ela engolisse uma colher de mel e limão, para melhorar um pouco. Mas só posso dar algo forte a ela quando acordar.
 - Espero que ela fique bem. E as roupas?
 - Estava cuidando delas agora, vou voltar a fazer isso. 
 - Sim, eu irei vê-la.

Ele entrou no quarto então e avistou Cam dormindo. Fez uma compressa e colocou sobre a testa dela visto que a febre ainda queria voltar. Ele estava sentado em uma cadeira de madeira ao lado da cama onde ela estava repousando, e a observava intrigado com as circunstancias em que ele a encontrou. Enquanto ao lado dela, Cam voltou a tossir um pouco mas logo parou. Depois de algumas horas, Lois e o irmão foram dormir e deixaram Cam dormindo no quarto em que ela estava. A casa tinha 3 quartos, e onde ela estava era o antigo quarto dos pais de Lois e o irmão, que morreram em um acidente carro devido à uma tempestade há 3 anos.
Pela madrugada, o irmão de Lois ouviu murmúrios vindos do quarto de Cam e logo preocupou-se em que ela estivesse sentindo algo. Correu para o quarto e quando a viu, ela dormia, mas derramava lágrimas pelos olhos. Ela chorava dormindo. Ele concluiu que ela delirava devido à febre, mas ao colocar sua mão sobre o rosto dela, a febre estava baixa. Não eram delírios, deveriam ser pesadelos, algo que a perturbava. Ali ele ficou o resto da noite, observando aquela garota e completamente mergulhado em seus pensamentos sobre quem era ela, o que a levou a estar na floresta e machucar-se, e agora queria saber o que ela levava em sua mente que a fazia sofrer dormindo. A olhava totalmente intrigado e a cada momento sua curiosidade aumentava sobre ela, desde apenas qual seria o nome dela até sobre quais eram as razões de todos aqueles acontecimentos. Depois de muito velar o sono dela, ele acabou adormecendo, ali, sentado na cadeira de madeira ao lado dela, com sua cabeça encostada na parede. E ali ficou até o amanhecer.

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