Cam e Landon se conhecem após ele salvar a vida dela. A partir daí criam-se laços; lembranças são trazidas novamente à superfície da mente de Cam e acontecimentos inesperados os obrigam a unirem-se para descobrirem a verdade e correm perigos que nem imaginam.


Sonho e Medo é um romance que envolve mistérios, descobertas, receios e acima de tudo sentimentos que surgem sem serem notados.


Uma história fictícia mas que reflete muitos sentimentos e atitudes reais que fizeram e ainda fazem parte da vida de muitas pessoas, ou poucas delas.

sábado, 6 de agosto de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 10 - O começo do mistério.

Mesmo com todas as buscas, a polícia não encontrou nem o homem e nem o cachorro. Apesar de terem as descrições da aparência do velho dadas por Cam e Landon eles não conseguiram encontrá-lo, mas disseram que continuariam a procurá-lo. Yumi combinou de visitar Cam todos os dias até que ela estivesse bem, e ainda fazia questão de levar bolinhos, pães e doces todas as manhãs quando a visitava. Lois e Landon também estavam lá todos os dias, mas Landon era quem passava todo o tempo com Cameron. Inevitavelmente, a Sra. Addison ficou sabendo do acontecido e ligou logo no dia seguinte pela manhã. Queria retornar imediatamente para cuidar da filha, mas depois de um tempo, Cam conseguir convencê-la que não era nada grave e que a avô necessitava mais dos cuidados da mãe do que dela.

- Sua mãe se preocupa com você...
- É, mas ela não precisa vir. É só um machucado no braço, não estou aleijada nem nada.
- Me diga se eu estiver errado, mas, você gosta de ficar aqui, nessa casa, sozinha, longe de sua família... Por quê?
- Não é isso... Eu cresci aqui, todas as minhas lembranças boas estão aqui...
- As ruins também pelo visto... Porque não vai ficar com sua mãe e sua avó? Eu daria tudo para ter alguém da minha família vivo além de Lois...
- Você não entende... Não estou dizendo que não amo minha avó e minha mãe ou que não quero estar com elas... Mas eu não quero sair daqui, me distanciar do único lugar que ainda me traz viva a lembrança do meu pai...
- Seu pai sempre vai estar na sua memória, não importa onde você esteja. E se ficar aqui te faz sofrer por outras lembranças ruins, você tem sair daqui... Na verdade, você tem que enfrentar o que te assombra dessa forma, que tira suas noites de sono, sua alegria, e se deixasse alguém te ajudar não seria tão difícil...
- Ninguém pode me ajudar Landon... Ninguém... Até porque como ajudar alguém com coisas que já aconteceram e não há como voltar atrás? A não ser que me dissesse que pode mudar o passado, você pode?
- … Não.
- … Você já está me ajudando por estar aqui comigo... você e Lois estão sendo como uma outra família pra mim e... Vocês nem tem porque fazer isso... Vou fazer um chocolate quente você quer?
- Deixa que eu faça.
- Não! Eu posso fazer as coisas... Vai querer ou não?
- Se me deixar ao menos te ajudar...
- Tudo bem.

Enquanto preparavam a bebida quente para a manhã fria, Cam também arrumava algumas coisas na cozinha. Quando pegava o pote de açúcar que não estava muito leve, sentiu uma dor, pois forçava um pouco o pulso e a área ao redor onde tinha ferido, e o derrubou no chão.

- Droga! Ai...
- Ei, ei! Você está bem?
- Estou eu só... Argh...
- Não pode forçar esse braço...
- Eu estou bem, já passou... Ai... Eu estou bem.


Landon e Cam pela noite, assistiram a um filme, mas ela ainda fragilizada com o que havia acontecido estava cansada e o remédio que havia tomado lhe dava sono, então acabou adormecendo no sofá ao lado dele. Estava frio e a cabeça dela pendia para o ombro dele. Então ele pegou uma coberta a cobriu e a deitou em seu colo. Durante a noite ela se aconchegou no colo dele como uma criança. Mas pela noite ela começou a ter um de seus pesadelos. Falou enquanto dormia, e Landon acordou e escutou o que ela falava, mas Cam continuou dormindo.


Pela manhã a velha Yumi logo veio trazendo os bolos e pães para eles, e ainda fez questão de arrumar a cozinha que não estava muito bagunçada. Foi a segunda noite que Cam passou em casa e dormindo depois de muito tempo. Sempre amanhecia o dia na floresta, longe de todos. Mas depois do que havia ocorrido e pelo remédio receitado pelo médico que a deixava sonolenta ela mal saia de casa. Na verdade, dois dias. Depois que Yumi se certificou que Cam estava bem e se despediu, Landon ficou parado na janela da sala. Olhando em direção à floresta, quieto.


Cameron, por um tempo permaneceu sentada no sofá o olhando-o em silêncio. Mas ele estava quieto demais e isso a incomodou. Parecia que algo estava errado. Ele nunca ficava mais que dez minutos quieto e sem se mexer, além do mais olhando para uma janela que apontava a vista de uma floresta, mas nada alarmante naquele momento. Sem aguentar mais o silêncio, ela decidiu ir até ele e falar.

domingo, 24 de abril de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 9 - Visita não amigável

   Como sempre, a noite de Cam estava sendo ruim. Remexia-se na cama, inquieta, ofegante, agoniada. Alguma visão em sua mente enquanto dormia a atormentava. Como se uma sombra da janela de alguém passando pelo lado de fora refletisse em seu rosto bastou para que ela acordasse e saísse da tamanha agonia que a prendia em seu sono. Suspirando fortemente e com olhos confusos ela tentava se acalmar. Levantou-se da cama e foi à cozinha beber um pouco d'água.

- Até quando... Até quando pai... Eu nunca vou ter paz... Nunca... Porque você se foi... Por que eu não consigo tirar isso da minha cabeça... que não fui eu que... Porque... - ela jogou-se ao chão e lá ficou em lágrimas, até depois ir para a sala e colocar música para ouvir, as músicas clássicas que tanto amava.

   Do lado de fora da casa, uma inquietação que não fora notada logo desapareceu. O despertar de Cam, as luzes acesas e a música espantaram o que por lá estava... O velho...

   Ainda antes de amanhecer o dia nublado, Cam acordou e saiu para a floresta e levou consigo pincéis, tintas e uma tela. Ela pretendia pintar algo lá, onde sempre ficava na floresta, onde ela e Landon se encontraram. Um tempo depois, cerca de duas horas Landon se aproximava. Eram sete horas da manhã. Ao vê-lo, Cam sorriu e voltou-se para a tela que pintava.

- Vai me desenhar?
- Você está poluindo a paisagem que eu via antes, agora tudo foi modificado pela sua presença, logo não será mais as mesmas folhas, o mesmo chão, a mesma visão e por isso não será mais a mesma tela. Ainda não sei como vou contornar isso.
- Então quer dizer que sou uma poluição para sua visão?
- Para minha primeira visão da paisagem sim, porque você modificou ela. Rá, rá, rá.
-Uma maneira delicada de dizer que eu não deveria estar aqui suponho.
- Hum.. Se não queria ter modificado minha tela é sim... Rá, rá, rá. Que bom que veio. Acabei voltando a pintar.
- Estou vendo, e fico feliz por isso. Essa é primeira desde que voltou a pintar?
- Não, fiz uma esses dias atrás.  
- E não me mostrou?
- Calma, vou mostrar logo.
- Espero que sim. Mas a quanto tempo está aqui?
- Calculando que você chegou aqui duas horas depois...
- Está aqui desde as 5 da manhã?  
- Quase, alguns minutos antes. Eu não consigo dormir sempre e então venho para cá, você sabe.
- Você é louca. Devia tentar dormir, descansar, tem olheiras no rosto. Isso não é bom para sua saúde.
- Eu sei... Mas eu não consigo, tento mas não consigo...
- Bem, ham, eu passei pela casa no lago. Estava tudo tão silencioso que eu me aproximei, não tinha ninguém lá. De onde aquele velho veio? Nem sinal de que alguém mora lá existe Cam. Aquele velho estava mentindo, ele deve ser louco mesmo, não existe outro motivo. Não tem o que pensar.
- Será? Talvez ele seja um louco que mora lá na casa do lago. O que é estranho é que nunca vimos ele, e quando vimos ele estava nos ameaçando com uma fera que ele chama de cachorro. Mas isso não importa, duvido que ele apareça de novo e se aparecer e só a gente sair de perto e ir embora.
- É verdade. Vamos deixar isso de lado. Mas e então, já decidiu o que vai fazer com a poluição para a sua anterior visão artística da sua tela?
- Olhe...
- Esse vulto preto, ou seja lá o que for isso significa a poluição e que certamente sou eu?
- Rá, rá, rá... É apenas uma nébula que eu coloquei no lugar onde você apareceu, depois vou dar formas, mas depois termino isso.
- Tudo bem. Se quiser eu fico quieto para você poder pintar, prometo que não vou falar nada para não te desconcentrar.
- Rá, rá, rá... Não é isso. Depois eu termino. Agora me diga, quando você voltou para sua casa ontem a noite, foi tudo bem? E como está Lois?
- Foi tudo bem sim. Lois está bem também. Ela está sempre lendo livros, e agora que às aulas da Universidade estão para começar ela está animada.
- Que bom. Ela sempre é tão doce, tão alegre. Deve se orgulhar de ter uma irmã assim.
- É verdade, Lois é muito importante pra mim, é a única família que tenho. Mas e você? Pronta para a Universidade?
- Não sei... Acho que sim. E você?  
- Estou eu acho. Já me acostumei lá, mas cada novo ano é diferente.

   Eles ficaram lá por um bom tempo. Mesmo com a manhã avançando o sol era tímido e reprimido pelas nuvens nubladas que sempre tomavam o céu. Cam e Landon andaram até a casa, pois ela queria mostrar a ele o outro quadro que havia feito. Ao chegarem próximos à casa notaram que algo estava errado. Haviam pessoas do lado de fora olhando algo mas eles não entenderam. A cada vez que chegavam mais perto ouviam o som alto de música clássica vindo da casa que foi colocado propositalmente para abafar outros barulhos. Havia alguém lá. Cam ignorou às perguntas dos vizinhos que se espantaram ao notar que não era ela dentro da casa com todo o barulho e então ficaram assutados. Dirigindo-se à porta e a abrindo notou que haviam coisas espalhadas ao chão e outras quebradas e quando olhou em direção ao corredor que dava acesso aos quartos e ao mesmo tempo para a porta dos fundos que dava acesso ao porão passando pela cozinha notou alguém se escapando.

- Ei! Volte aqui! Ei! - gritou Cam correndo atrás dele.

   Landon ainda entrava na casa, pois havia sido retido pelas perguntas dos vizinhos curiosos. E quando viu Cameron sair correndo pediu para que ela esperasse mas não teve como, ela não ouvira.
   Ele então pôs-se a correr atrás dela, mas estava um tanto longe. O caminho que percorriam saia dos fundos da casa de Cam e iam em direção à uma parte da floresta que ficava cada vez mais densa, com o chão escorregadio repleto de folhas, lodo, galhos, raízes e com pouca luz. Landon não conseguia ver exatamente onde ela estava. O ladrão corria com não muita velocidade e quando ela se aproximava dele foi surpreendida pelo feroz cachorro que se atirou contra ela levando-a ao chão e mordendo seu braço esquerdo, o que ela pintava e escrevia. Ela era canhota. O velho olhava o ataque de seu animal obediente ao longe e nada fazia para pará-lo. Não demorou muito e Landon conseguiu alcançá-la tirando com violência o cão de cima de Cam com os braços e depois o lançou contra uma árvore e o chutou até que o animal se esgueirou e saiu correndo em direção ao dono. Landon encarou o velho e ia em direção a ele e gritando:

- O que você quer? É louco?

   O homem não respondeu e andando depressa sumiu por entre a névoa das árvores da floresta. Landon sem se preocupar com qualquer outra coisa correu para socorrer Cameron que tinha o braço mordido e sangrando muito. Ela tentava suportar a dor e não chorar. As lágrimas não escorriam quase, mas não podia conter os gemidos da terrível dor que sentia. Às pressas Landon a amparou tirando-a de lá e levando-a de volta à casa para irem ao hospital cuidar daquela grave mordida. Os vizinhos ficaram todos preocupados, em especial uma amável senhora de seus 50 anos chamada Yumi que logo se prontificou a ajudar Cam. Landon acalmou os outros vizinhos que haviam acionado à patrulha do bairro e pediu que todos voltassem para suas casas. Depois disso, Yumi, Landon e Cam correram ao hospital. A senhora se disponibilizou depois a ajudar a arrumar a bagunça feita pelo ladrão e no que fosse necessário. Lois ficou sabendo algum tempo depois e correu para ver sua amiga.

domingo, 17 de abril de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 8 - Encontro Medonho

  Cada vez mais a escuridão tomava o céu, a estrada e a paisagem. A luz que agora havia era das estrelas que surgiam aos poucos e da lua que lançava seu brilho sobre as densas florestas, as silenciosas ruas e as casas ao longe... bem longe. Os dois, ainda quietos ao que havia ocorrido com Cam, aos poucos se acalmaram. Quando notou que estava aconchegada aos braços dele, ela se reprimiu, deteve-se e recuou. Seus olhos com lágrimas secando e suas bochechas pouco coradas e lábios trêmulos pelo nervosismo e pelo frio que estava naquela noite não negavam seu desconforto com a situação presente.

- Desculpe eu não queria... Eu... Eu não... Desculpe Landon, desculpe...
- Ei! Não precisa se desculpar Cameron, as pessoas não devem se desculpar por terem problemas ou por terem lembranças ruins. Eu não quero que se desculpe, não quero que se arrependa a cada lágrima que derramar. Quero que confie em mim, que conte comigo, que me deixe ajudá-la... Cam... Por favor... Me diga o que tanto lhe atormenta, o que a faz sofrer tanto... Eu...
- Ei! O que vocês fazem aqui na minha propriedade? Saiam daqui agora!!! - disse um homem com vestes um tanto grosseiras, casacos grandes e antigos para o frio da noite, botas desgastadas, calça desbotada e velha. Ele tinha em uma das mãos um farolete e na outra segurava a corrente que prendia um cachorro que estava parado ao seu lado. Os dois encarando carrancudos à Landon e Cameron que se surpreenderam e nada entenderam.
- Desculpe... O senhor é?
- Não importa quem sou eu seu moleque, saiam daqui agora!!!
- Olha, isso aqui é uma estrada, como podemos estar na sua propriedade? Já passei, aliás passamos aqui diversas vezes, todos passam aqui porque é uma estrada, uma via pública, qualquer um pode passar. Além do mais não existe nenhuma propriedade aos arredores, eu conheço todo este lugar. Só há uma casa velha no lago, que é um tanto longe daqui e...
- A casa do lago é minha, eu moro lá e quero vocês fora daqui agora!
- Isso não dá o direito de querer nos expulsar de uma rua. A casa do lago pode ser sua mas não pode...
- Eu posso o que eu quiser, tudo aqui é meu se eu quiser, e é melhor saírem daqui agora se não quiserem que eu os tire à força... Aliás, eu não... - disse o velho olhando para o cachorro que já firmava as patas ao chão e deixava a dentição à mostra rosnando e dando alguns passos em direção à Landon e Cam.
- Cam, pra trás... - sussurrou Landon colocando-se na frente dela e protegendo-a.
- Eu não posso segurar meu cachorro por muito tempo... Ele é um tanto rebelde às vezes e não será dessa vez que ele irá me obedecer.
- Eu nunca vi o senhor por aqui... Não sei porque está fazendo isso...
- Cala a boca moleque!!! - disse o velho deixando o cão avançar um pouco mais.
- Nós vamos sair, aliás já estávamos indo até o senhor aparecer e nos ameaçar com esse seu cão... Como podemos ir se não tira esse... cachorro do nosso caminho?
- Cuidado como fala moleque... Eu seguro meu cachorro enquanto vocês saem da minha propriedade, mas se demorarem não sei se ele irá me obedecer...
- Vamos Cam... Com cuidado...

    Os dois um tanto amedrontados e completamente confusos e sem compreender nada da aparição daquele velho nunca visto e as ameaças que ele fizera com seu cão, foram andando devagar enquanto próximos do cão e seu dono, depois aceleraram o passo sem falarem um palavra se quer.
Quando já estavam a uma distância segura, já não podiam mais ver nem sinal do cão e do homem esquisito que havia aparecido. Continuaram andando intrigados com o que havia ocorrido e então pararam novamente já próximos à casa de Cam.

- O que... foi aquilo?
- Eu não sei. Aquele velho deve ser louco.
- Deve ser... Ele quer ser dono da estrada? Ele disse que mora na casa do lago, mas eu nunca vi ninguém lá você já viu?
- Não eu não vi... Na verdade não sei dizer. Mas como ele pode nos ameaçar com um cachorro?
- Cachorro não Landon... Brutamontes isso sim. Aquilo foi... esquisito.
- Ele é louco... Mas sabe, eu não entendi de onde ele surgiu.
- Se ele for uma criatura da noite como nós, explica aparecer de repente... Ele podia estar entre as árvores... Ao menos eu conheço alguém que já fez isso... ha ha ha ha...  
- Você está... rindo? Sua louca... Mas é verdade... Acabou sendo engraçado agora que estamos bem... Ele com toda certeza também é louco... ha ha ha
- Sabe... Foi legal como agiu... Obrigado por mais uma vez ter me protegido, obrigado Landon.
- Não quero que agradeça, você sabe. Sempre irei te proteger e quero que confie em mim, não importa o que aconteça ou o que já tenha lhe acontecido. Sempre estarei aqui.

   Cam tinha mais de uma prova de que Landon estava disposto a ajudá-la, ela via e sentia isso. Ele já lhe salvara a vida, e se preocupava com ela, e mostrou que sempre a protegeria. Ela sabia disso. Landon tinha certeza de que sempre estaria ao lado dela, e tinha confiança de que algum dia ela pudesse acreditar e confiar nele, e o deixasse saber o que a atormentava e consumia.

   O velho estranho que os ameaçou havia seguido-os de longe e os observava. Com sua expressão rude e raivosa, mascava uma noz de bétele, e segurava a corrente que prendia o cachorro que estava silencioso a comando do seu dono e deitado no chão por entre às árvores à distância de onde Landon e Cam estavam.

- Ainda não acabou Richard... Ainda não acabou... Se estiver com ela... Eu vou pegar o que você negou me dar...

sábado, 9 de abril de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 7 - Medos vindo à tona

   O caminho de volta até a casa de Landon embora longo mal foi notado por ambos: eles eram acostumados a andar, e também a conversa os distraiu. Cam mencionava o aspecto surpreso dele ao olhar para cima da árvore e vê-la lá. Parecia nunca ter visto alguém em uma árvore. Para ele não era normal ver uma garota fazendo aquilo e claro, levou um susto. Ele com cuidado, tentou indagar
sobre o pai dela novamente, mas quando notou o silêncio, pediu desculpas e mencionou outro assunto.

   Eles caminharam à casa, e lá, Lois ficou feliz ao ver Cam novamente e então os três se puseram a conversar. Cameron ajudou Lois na cozinha mesmo que fosse incentivada a não se incomodar com isso, fez questão de prestar ajuda. O jantar, e até mesmo as danças foram deveras alegres e divertidas. Por alguns momentos Lois olhava seu irmão dava alguns sorrisos por vê-lo tão feliz com a companhia de Cam. Parecia desejar que algo ocorresse, ou sentia que devia acontecer. O que ela mais queria era a felicidade de sua família que eram ela e o irmão... E talvez... Cameron.

   A tardinha se esvaia e a noite avançava, então Landon acompanhou Cam no retorno para casa. O clima frio se estendia pela estrada, o vento movimentava as folhas das árvores suavemente enquanto a escuridão tomava conta do céu. A noite se aproximava calmamente como quando o sono sorrateiramente domina um ser e o faz aos poucos perder as defesas e adormecer. Assim a noite triunfava sobre a já escassa luz do dia sem sol. Quando olhava para Landon ao falarem e via os olhos reluzentes refletirem primeiro a pouca claridade do dia, e depois a escuridão da noite pelo azul puro, translúcido e cativante de uma forma que por segundos ela se hipnotizava e logo desviava seu olhar do dele para não se prender ali. De alguma forma, olhar nos olhos dele lhe causava algo que a fazia relutar e ao mesmo tempo querer encará-lo, mas não podia. Por algum motivo não podia.

   Cameron guardava consigo muitos segredos e medos que eram desconhecidos de todos, mas quando perto de Landon, por algum motivo, todos esses obscuros pensamentos e lembranças queriam vir à tona. Era como se algo dentro dela gritasse para que tudo saísse da fortaleza que havia construído e não tivesse medo de talvez cair ou tropeçar, pois ele estaria lá. Como se algo assegurasse que ela poderia confiar nele, e que antes de acabar se consumindo e se perder tão profundamente em seus pesadelos, sonhos e medos que chegasse um dia a não mais abrir os olhos, ela deveria fazer isso, deveria confiar nele. Mas relutantemente ela se negava a isso, negava às forças que diziam o contrário para ela e continuava temerosa e acreditar que o modo como estava era o melhor.

- Cam... Posso lhe fazer uma pergunta?
- Pode desde que não seja...
- Não, não é sobre seu pai... Porque não me olha nos olhos, eu sei que pode ser besteira mas estou acostumado a olhar nos olhos das pessoas quando falo e você evita isso. Há algo errado em meu rosto, eu tenho algo...
- Não, não há nada de errado com seu rosto. Você não tem nada que... me faça não querer olhar... ahm...
- Então... Porque evita me olhar nos olhos?  
- Eu...
- Olha para mim, para meu olhos...
- … Eu... Não consigo... Eu... Eu...
- O que você tem? Me perdoe eu... Céus, calma, estou aqui... Estou aqui...

  Ela desabou em lágrimas e ele a confortou abraçando-a ternamente. Ele estava intrigado com aquilo e queria compreendê-la. Mas agora ela estava ali, de seus olhos escorriam lágrimas e ele a cercava com um abraço protetor. Apenas ele sabia que algo realmente a afetava, só restava descobrir o que e porque. Queria ajudá-la, apoiá-la, protegê-la, e faria isso. Ali então, naquele momento, a protegeria e afastaria dela todo mal que a quisesse afetar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 6 - Segredos existentes.


- Poderíamos convidá-la para jantar aqui hoje, o que acha?
- É uma boa ideia, seria ótimo!
- Há tempos não via você falar assim tão... Animado...
- … Eu vou buscá-la ao anoitecer, quer vir comigo?
- Não, eu não vou andar tanto para voltar depois, e vou ficar esperando vocês aqui, enquanto a busca eu preparo tudo.
- Está bem. Eu vou agora tocar um pouco de piano, quer ajuda em algo?
- Não, não preciso, obrigado... Landon, você... está muito feliz desde que a encontrou, está sentindo algo por Cameron?
- … Está falando bobeira Lois, mal a conheço, gosto dela como uma boa amiga que poderá nos ser... Vou ao meu piano já que não precisa de nenhuma ajuda então.

   Lois sorriu pelo irmão que pareceu completamente desconcertado. Cam era sim uma futura boa amiga para eles, mas Lois ficava feliz em perceber que para Landon ela talvez se tornasse mais que uma amiga.  
Landon tocava lindas músicas ao piano, e principalmente de seu compositor favorito, Henry Purcell, do século 17, mas também outros musicistas. Algumas lembranças lhe vinham à mente e então esboçava sorrisos. Os poucos momentos que teve com Cam lhe davam alguma alegria e também se misturavam a outras lembranças que ele tinha de sua família, e das bobeiras que ele e Lois faziam, dançavam e se divertiam.
Ainda no porão, Cam fazia seu belo quadro. A tela estava tomada pelo verde da floresta, misturados a verdes mais claros e amarelados dando o tom de folhas envelhecidas, até que suavemente o marrom do chão se misturava aos outros tons. Em meio às árvores, folhas, pedras, e galhos caídos ao solo, haviam duas pessoas que ainda não tinham seus rostos pintados.
   A semana esta perto do fim, já era Sexta-feira. A Sra. Addison, mãe de Cam, vinha sempre aos Domingos e passava o dia com a filha, pela noite ela se despedia e retornava à cidade vizinha para cuidar da avó de Cam. Era uma pessoa muito amigável, sensível, amorosa e se preocupava com a filha, mas não podia ficar com ela devido a situação e por mais que insistisse para que a filha viesse com ela, de nada adiantava.
   Como combinado, ao anoitecer Landon saiu para convidar Cam para o jantar, o clima estava ainda mais frio, o que o obrigou a ir com uma capa que o aquecesse mais que as outras e um cachecol no pescoço para proteger a garganta. Como ele suspeitava encontrar sua convidada na floresta, foi para lá que ele logo se dirigiu, confiante de vê-la. Ao se aproximar, estranhou não ver nenhum indício que houvesse alguém lá. Até que olhando ao redor, viu-se enganado em sua suposição. Ela não estava lá, não no lugar que deveria estar, já que disse sempre ficar ali. Com um olhar um tanto decepcionado pelo erro, depois de ficar parado olhando ao redor por alguns instantes, decidiu ir à casa dela. Até que algo o paralisou. Um pequeno barulho. O que poderia ser? Algum animal? Seus olhos rondavam todo o local com atenção.
   Landon sem ver nada que pudesse o ameaçar, deu alguns passos e ficou ainda alerta, olhando por toda a parte da floresta que seus olhos alcançavam. Deu mais alguns passos até ficar sob uma árvore. Quando ia olhar para os galhos da árvore algo lhe caiu no rosto assustando-o e provocando uma reação desesperada em tirar o casaco que caiu sobre ele. Casaco. Casaco! Casaco.

- Rá, rá, rá... Calma sou eu... rá, rá, rá... - Cam sorria descontroladamente.
- Ei, você me assustou, me jogou um casaco? Seria melhor ter puxado meu cachecol e me enforcado não?  
- Mas eu poderia não ter conseguido esse resultado, rá, rá, rá... - ela continuava sorrindo.
- Eu realmente não esperava isso. Como subiu aí, aliás o que faz aí em cima?
- Estava esperando você aparecer e fazer exatamente o que eu fiz, rá, rá, rá... E advinha? Não precisei de 5 minutos para planejar isso, rá, rá, rá...  
- E o que eu fiz de tão ruim assim para merecer isso? Sempre assusta as pessoas que querem ser seus amigos?
- Hum... Sim, rá, rá, rá...
- Pois a mim você não vai conseguir fazer desistir, pode assustar quantas vezes for.
- Ah, assim perde a graça... Mas não vou desistir, rá, rá, rá...
- Então você realmente faz isso?
- Rá, rá, rá... Não, eu fazia isso muito com meu pai e...
- E...? E? Cam? Parou de rir e de falar...
- Não eu só... Vou descer eu...
- Tá mas cuidado... Cam!!! Você está bem? O que aconteceu?
- Estou bem, já caí de alturas maiores e não foi nada. Eu to bem.
- Olha esse arranhão no seu braço, o que aconteceu, você estava bem e foi só falar em seu pai que mudou de repente e acabou caindo da árvore.
- Não foi nada eu estou bem! Desculpe...
- Pegue... Seu casaco, coloque, está frio. Porque fica tão incomodada quando fala do seu pai?
- Porque eu não gosto de lembrar...
- Lembrar do que? Lembrar dele e das coisas que fizeram juntos é bom Cam, sempre se lembrará dele.
- Eu não lembro dele desse jeito Landon... Tudo que eu lembro é...
- É...? O que você lembra Cam? Tem alguma coisa que a perturba nisso, alguma coisa que não quer lembrar?
- Quando... quando ele morreu eu... eu...
- Você...? Fale, Cam...
- Não. Não é nada. Mas o que veio fazer aqui?
- … Vim lhe chamar para jantar comigo e Lois. E não podes dizer não.
- Tudo bem, eu só preciso ir em minha casa pegar as roupas de Lois para devolvê-las.Vem comigo?
- Sim, vamos.

   Landon agora se preocupava cada vez mais com aquela garota. O que ela escondia? O que a perturbava? O que havia de tão ruim na morte do pai dela que a fazia sofrer tanto? Mas ele não queria insistir e fazê-la sentir-se mal e ainda mais talvez afastá-la dele. Então preferiu calar-se com aquele assunto. Assim seguiram até a casa de Cam, para apanhar as roupas que Lois havia emprestado anteriormente.

sábado, 2 de abril de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 5 - Retornando à inspiração.

  Depois de alguns instantes, Cam retornou com xícaras de café, bolo e biscoitos para comerem. Permaneceram na sala de estar, sentados no sofá. Embora o clima estivesse frio, a casa era bem aquecida e os casacos eram deixados de lado, apenas usados quando fora dela. A manhã era cinza, nublada, fria e sem muita luz. Mas o vívido verde das folhas, a paisagem da floresta misturados ao acinzentado do céu davam um colorido ao dia que o tornava agradável, calmo e repousante.
  Para Cam era algo diferente, estar ali com alguém que conheceu a tão pouco tempo, mas que já havia feito um dos maiores gestos de bondade e benignidade por ter salvo-lhe a vida. Ela também não fazia muita questão de se aproximar das pessoas, até porque essas não existiam e outros saberem de sua vida era algo que a incomodava. Mas para com Landon e Lois ela devia isso, ao menos a gratidão e agora a amizade que eles ofereciam a ela.

- E aquele quadro ali é seu por um acaso?
- É sim... você olhou na assinatura, he he he, por isso sabe que foi eu.
- É eu olhei, mas se não fosse a assinatura você não me diria que era seu diria?
- Não, não diria.
- E você ainda pinta? Eu quero ver mais quadros seus. Você é uma excelente artista, ao menos por este quadro.
- Os outros não estão aqui, estão no porão... Eu não pinto há um bom tempo.
- Poderia vê-los? Por que não pinta mais?
- Porque... Não sei, acho que não tenho mais inspiração ou vontade pra isso. Já faz um bom tempo.
- E sobre o que pintava?
- Vem... Eu posso mostrar pra você.  

  Landon segui-a então até o porão, onde Cam guardava seus quadros. Quando começou a ver todas as pinturas, ele ficou impressionado. Elas eram criativas, algumas alegres e outras tristes, lindas, admiráveis e bem feitas. Ele a elogiou, e indagou o porque de cada uma. Até que perguntou novamente a ela o porque de não mais fazer os belos desenhos. Ela hesitou em responder, apenas repetindo o que já havia dito, sobre não ter inspiração.

- Sabe uma das coisas que gosto muito de fazer quando não tenho nada para fazer além de tocar piano?
- Não, qual?
- Dançar. Mas as músicas mais clássicas, ou aquelas dos antigos bailes do século 19 se lembra? Já ouviu alguma?
- Rá, rá ,rá, claro que sim, são músicas que gosto muito de ouvir, mas não danço.
- Eu e Lois vivemos nos divertindo assim em casa quando não temos ideia do que fazer. Mas, porque não dança?
- Eu não sei, eu acho. Só prefiro escutar.
- Ah não, agora terá de dançar! Eu lhe ensino!
- Não de jeito nenhum eu...
- Sim, irá, rá, rá, rá...

   Landon tomou as mãos de Cam e retornaram para a sala. De tanto ele insistir, Cam colocou a música e ele lhe pediu a dança. Riram, divertiram-se, ela pisou no pé dele diversas vezes até que aprendeu como se dançava. Até que se cansaram e sentaram ao sofá ainda rindo-se de tudo. Depois Landon teve de despedir-se pois Lois deveria estar preocupada com ele.
   Cam depois de muito tempo, esbanjou sorrisos naquele dia, e se divertiu por ter a companhia de seu bem feitor. Ela agora se agradava da ideia em poder ter a Lois e Landon como bons amigos e únicos. Ela retornou ao porão, e lá ficou sentada por um bom tempo apenas olhando para uma das pequenas janelas, depois olhou para seus pincéis e sua paleta de cores. Sorriu, tomou uma tela nas mãos, colocou-a no suporte e começou a pintar novamente.
   Landon ao chegar, contou à sua irmã o que havia ocorrido e ela já imaginava por onde ele esteve. A conversa foi longa e divertida e ela fez uma sugestão à Landon que ele concordou prontamente.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 4 - Aproximação

O silêncio foi quebrado por um suave som de leves passos na floresta que se aproximaram-se de Cam. Ao longe já podia avistar a imagem de quem se aproximava. Com o vento frio e a neblina, a visão não era muito clara, mas a capa dele era jogada ao vento e as feições não eram estranhas à Cam. Cada passo mais próximo, a luz iluminava-lhe e ela já podia distinguir a cor dos olhos dele que eram transparentes como a água cristalina refletindo um azul totalmente puro, suave e cintilante.

- Então veio. Não acreditei que viria, não esta noite e ainda mais essa hora. Sua casa é muito longe para vir até aqui e voltar antes de ser muito tarde.
- E você pretende voltar à sua casa? Eu não tenho problema algum para retornar mesmo sendo longe, mas você se arrisca em ficar sozinha por aí principalmente à noite.
- Está certo, eu quase sempre fico aqui até os primeiros sinais de sol. Não tenho muito sono, e não gosto de ficar em minha casa sem ter o que fazer, então venho para cá.
- E sua família não se preocupa com você?  
- Eu já lhe disse que não há ninguém para se preocupar comigo e nem quero.
- Então você mora sozinha? Não.. não tem família?
- …
- Eu perdi meus pais há quase 4 anos. Lois ainda era mais jovem que eu e ela sofreu muito.
- O quarto onde eu estava...
- Era o quarto deles... você viu os retratos?
- Sim, eu vi. Vocês eram uma família bonita. Mas... Como eles morreram?
- Foi em uma tempestade. Eles voltavam de uma viagem e com as fortes chuvas meu pai perdeu o controle na estrada e sofreram um acidente...
- … Meu pai morreu quando eu tinha 9 anos... Ele estava na floresta e... E... E eu só sei que quando encontraram ele... Já não podiam mais ajudar. A minha mãe cuida da minha avó em uma cidade vizinha, então eu fico sozinha.
- E não se importa em ficar aqui? Você poderia ficar com sua mãe e sua avó.
- Poderia, mas não quero. Gosto daqui e ficar gosto do silêncio, da solidão, gosto de estar assim como estou.
- E eu estou aqui atrapalhando, desculpe eu...
- Não, tudo bem. Eu te devo muito lembra? Não posso tratar alguém que me salvou tão mal. E eu não disse que não gosto de estar com outras pessoas... Só que às vezes prefiro ficar só...
- A maioria das vezes então não? E porque gosta tanto dessa floresta?
- Gosto daqui e eu vim muitas vezes com meu pai. O ar frio e puro é o que existe de melhor pelo menos pra mim. Aqui eu posso pensar, refletir, fazer o que eu quiser.
- E o que tanto pensa aqui?
- … Tudo. Mas me fale de você, o que você faz?  
- Ah... Depende, faço muitas coisas. Mas se quer saber o que gosto de fazer, é quase o mesmo que você, só não me arrisco em um riacho sabendo que posso me afogar... Mas além disso, eu também gosto muito de tocar piano e eu cuido de um restaurante que era do meu pai enquanto a faculdade não começa.
- Piano? Isso parece ser muito legal!
- É sim, não é só isso. É muito lindo. Se pra você o melhor é ficar aqui pois fica em paz e pode pensar e refletir, tocar piano para mim é a mesma coisa. É algo que preenche algum vazio que existe. Se algum dia quiser eu posso tocar pra você. Mas e você o que faz além de ficar aqui nessa floresta?
- Eu... Eu faço alguns quadros mas... Não é nada demais...
- O que? Você pinta? Isso é algo muito bonito, é uma arte, eu ainda irei querer ver e você terá de mostrar.

Ali ficaram em meio a alguns sorrisos com algumas coisas que falavam. Por vezes ficavam em completo silencio, outras falavam sobre diversas coisas, e permaneceram até os primeiros indícios de luz da manhã. Quando Landon se despediu, e ia tomando seu caminho de volta, Cam o impediu e disse que ele não poderia voltar por aquele longo caminho depois de uma noite inteira acordado e sem comer nada. Convidou-o então para tomar um café, e assim foram juntos até à casa de Cam.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 3 - Lembranças

- Então, porque estava na floresta?
- Eu... sempre ando por lá.  
- Eu nunca tinha lhe visto. E olha que ando por aquela floresta há anos.
- Então nunca pode me encontrar antes. Claro, agora encontrou uma vez.
- E será que irei novamente?
- Não sei. Eu prefiro ir sempre sozinha, para não correr o risco de encontrar alguém por lá. E ontem, eu não esperava que alguém me achasse.
- Mas pelo seu bem eu pude ajudá-la. Porque estava lá? Como mergulhou e bateu a cabeça, e ficou pelo chão da floresta sem mais nem menos? O que realmente aconteceu?
-Eu não menti. Isso aconteceu, eu só... Eu perdi o controle enquanto mergulhava e acabei quase me afogando. Quando consegui me aproximar da margem eu bati minha cabeça e depois apenas consegui me arrastar para onde me encontrou e... Enfim, você me encontrou.
- Porque perdeu o controle? O que lhe atormentou?
- Nada... Nada.
- Por um acaso, é a mesma coisa que lhe perturbou enquanto dormia?
- Não. Nada me perturbava.
- Porque então chorava? Eu estava ao seu lado, eu a vi chorar... Eu só quero ajudá-la...
- Então não me pergunte mais nada. Landon, eu... eu agradeço muito o que fez por mim, lhe devo a minha vida e não sei como poderei algum dia pagar isso...
- Pode pagar me dizendo se algum dia desses ainda a verei novamente.
- Hum... Isso é algo tão mínimo... Mas sim, verá.
- E quando?
- Não sei. Mas eu não costumo estar na floresta durante o dia, aquele foi uma exceção. Bem, é melhor você voltar agora, já estou perto de minha casa e... Bem, muito obrigado e agradeça sua irmã mais uma vez por mim.
- Eu farei isto. Espero vê-la de novo realmente e totalmente bem da próxima vez. Cuide-se Cam.  

    Landon fez o caminho de volta, enquanto Cam seguia para casa. Em um certo ponto, ela parou e olhou para trás e ainda podia avistar Landon, e ficou o observando por alguns instantes. Querendo ou não, o modo como ele olhava e falava havia a deixado intrigada. Cam sentiu que ele assim como ela, também tinha um ar misterioso. Agora ela não poderia esquecer de duas pessoas que lhe fizeram um imenso bem, e teria de voltar a ve-los ao menos para devolver o vestido e a capa de Lois que lhe foi cedida.

    Depois de voltar a caminhar e passados alguns minutos, Cam chegou a sua casa. Não era muito afastada da vizinhança, mas o suficiente para que ela saísse a hora que quisesse sem ninguém ver quando e onde ela ia. Por isso sempre ia as florestas pela noite e ninguém nunca sabia ou a seguia. A casa não era tão nova, mas bem conservada. Já havia sido construída há 20 anos pelos pais de Cameron. O pai dela havia morrido de uma forma misteriosa na floresta que ninguém sabia, quando o encontraram ele estava com fraturas na costela e na cabeça. Nada puderam fazer para salvá-lo. A mãe, cuida da avó que está idosa e doente e não pode ficar sozinha. Então Cam ficou na casa, até porque não podiam deixar o local vazio, sem ninguém. Ela vê a mãe aos fins de semana. Fora isso, espera pelo início das aulas na Universidade e enquanto isso faz trabalhos relacionados à arte. No porão de sua casa existem dezenas de quadros pintados por ela, mas pouco vai lá ultimamente.

    Sentada no sofá de sua casa, olhando para a janela que dá vista as árvores da floresta, Cameron mergulhada em seus pensamentos depois de muito lutar consigo mesma, com seus olhos, coração e lágrimas, não pode mais segurá-las. Desabou a chorar e lá ficou por horas. Quando não suportou mais, caiu ao sofá e adormeceu.
    Pelo início da noite, ela comeu alguma coisa, e não aguentou ficar na casa por muito tempo e vestiu um de seus casacos longos e saiu para a floresta. Ainda enquanto andava, as lágrimas queriam lhe voltar à face, mas depois de algumas poucas, conteve-se e secou o rosto. Para lá ela ia: à beira do riacho, pensar, refletir, olhar o céu, que era uma das coisas que fazia com seu pai quando ele ainda era vivo. Provavelmente passaria a noite lá, como de costume.
    Para Cam a bela paisagem da floresta à luz da noite, da lua e estrelas era imbativelmente a mais agradável e atrativa. Ela gostava de uma árvore em especial que havia um pouco afastada da margem do riacho. Ficou próxima por um bom tempo, rodeou a árvore, olhou inúmeras vezes para cima, para os galhos, as folhas, e depois sentou-se à beira do riacho. Lá ficou com seus pensamentos em completo silencio e solidão até que algo interviu nisto.

domingo, 27 de março de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 2 - Estranhos

Aos primeiros sinais de que a manhã se aproximava, Lois levantou-se e logo foi ver sua hóspede quando deparou-se com seu irmão lá, dormindo na cadeira.

- Ei, acorde. O que aconteceu, porque dormiu aqui? - indagou Lois.
- Ela tossiu um pouco de madrugada e vim ver se estava bem, acabei dormindo.
- Mas a febre voltou? Ela passou mal?
- Não, apenas tossiu, nada mais.
- Oh, que bom! Eu não escutei nada, dormi como uma pedra esta noite.
- Que bom que descansou então minha irmã. Eu não dormi muito.
- Se quiser ir e tentar dormir agora vá, eu cuidarei dela até que acorde.
- Não, eu estou bem, não vou conseguir dormir agora. Não se preocupe.
- Bem, vou preparar um bom chá, café e bolo para nós e para ela quando despertar.

Lois saiu e o irmão permaneceu no lugar que estava, sentado na cadeira, porém agora desperto e observando Cam novamente. Ela voltou a tossir e inevitavelmente abriu os olhos. Ainda olhava para o lado contrário quando olhou ao redor e então seus olhos encontraram quem estava ali com ela. Nada ali lhe era familiar, muito menos aquele estranho na cadeira. Mas em uma fração de segundos em que isso acontecia, notou que a estranha ali era ela e assustou-se por não saber onde estava.

 - O que... que lugar é esse? Quem...
 - Sou Landon. E você está em minha casa. Não se preocupe
 - Porque estou aqui? Eu... - murmurou Cam olhando para o que vestia e sua face mostrava a expressão confusa e um tanto amedrontada.
 - Tranquilize-se, minha irmã cuidou para que você não ficasse com aquelas roupas molhadas e lhe emprestou um dos vestidos dela. Lois, minha irmã é muito bondosa, está fazendo algo para você comer.
 - Como me encontrou? Porque me trouxe?  
 - Eu costumo andar pela floresta, e você estava ferida e molhada, se eu a deixasse lá, talvez teria... Mas, o que aconteceu à você? Porque estava na floresta? 
 - Eu... Eu sempre vou lá.
 - Mas o que aconteceu então? Você estava... tentando algo?
 - Não... Eu não estava tentando me matar... Eu... Eu só mergulhei e acabei perdendo os sentidos e bati a cabeça... Só isso.  
 - Tem certeza? Você... chorou enquanto dormia. Me desculpe mas não é só isso não é?
 - Eu estou bem! - respondeu ela imediatamente surpresa pelo que ele disse. O silencio percorreu o quarto.
 - Me desculpe eu não queria...
 - Tudo bem. Obrigado... Landon... É seu nome não é?  
 - Sim, é esse mesmo. Acho que a pancada não afetou sua memória recente ao menos. - disse ele dando um pequeno sorriso. - Mas, e o seu? Qual o seu nome? - continuou ele.
 - Cam. Ahm... Cameron, mas é melhor que falar Cam.
 - Tudo bem, se prefere assim... Mas é um nome bonito. Vou avisar Lois que você acordou e ela trará algo para que coma.

Landon, este era o nome dele, saiu do quarto e Cam ficou lá sozinha por alguns instantes até que Lois chegasse. Ela olhava todo o cômodo, o quarto, observando tudo com mais atenção. O ambiente em si não era muito iluminado, mas as janelas davam vista para dois lugares: a estrada e a floresta. Por elas, Cam pode notar que aquela manha estava fria e nublada. Alguns quadros nas paredes faziam referencia às paisagens do local, à floresta, à casa, à estrada, e algumas outras que eram desconhecidas. Boa parte dos móveis do quarto eram de madeira fina e tinham uma aparência um pouco rustica e isso os tornava muito belos. Alguns porta-retratos que ela via ao longe, continham fotos de Landon, Lois, e também dos pais deles. Mas mal teve algum tempo para começar a pensar e Lois entrou.

 - Que bom que acordou, lhe trouxe algo para comer, está desde ontem sem se alimentar. Seu nome é Cam, meu irmão já me disse.
 - Obrigado... Lois. Obrigado também pelas roupas, eu não queria incomodar, me desculpe.
 - Não há com que preocupar-se e nem se desculpar. Fico muito feliz em poder ajudá-la. Se Landon não a encontrasse... Talvez você não estivesse viva agora. O que lhe aconteceu?
 - Apenas fui ao riacho e me machuquei, nada mais. Muito obrigado mesmo, como disse, fico lhes devendo minha vida.
 - Não nos deve nada. Apenas se alimente agora, você precisa ficar forte. E não se preocupe com seu vestido, eu cuidei dele e logo estará seco.
 - Obrigado.
 - Vou deixá-la comer e se precisar de qualquer coisa é só me chamar, ou então a Landon.

Cam ficou sozinha então no quarto. Comeu o belo pedaço de bolo e tomou a xícara de chá que Lois lhe trouxe. E agora já começava a pensar naquelas duas pessoas que ajudaram a uma estranha, lhe acolheram, e forneceram roupas e cuidados. Também incomodou-se por estar ali, onde não conhecia e provavelmente perturbando pessoas que se preocuparam em cuidar dela mesmo não tendo qualquer vínculo com eles.
Ela não queria mais ficar ali, e então levantou-se, arrumou a cama em que dormiu e olhou para as roupas que vestia e incomodou-se por estar usando as de outra pessoa. Quando estava indo em direção à porta do quarto para sair, Landon entrou e a viu, logo notou que ela pretendia ir embora.

 - Eu agradeço muito o que fizeram por mim, mas eu tenho que ir agora.
 - Sim, claro, eu entendo. Sua família deve estar preocupada, aliás onde você mora? Fui procurar alguém que pudesse estar sentindo sua falta mas foi em vão pois nem seu nome saiba. Todos devem estar muito assutados com seu sumiço.
 - Ahm... Nunca acharia ninguém. Minha família não existe mais, ninguém daria falta por meu desaparecimento.
 - Você é sozinha? Desculpe a pergunta, mas e sua família?  
 - Não tenho como eu disse... Mas eu preciso ir agora. Ah, Lois obrigado por tudo e também pelas roupas. Poderia me dar meu vestido?
 - Ele ainda não secou totalmente, espere mais um pouco.
 - Não precisa, pode dá-lo assim mesmo, eu irei com ele sem problema algum.
 - Não, eu posso lhe dar, mas ficará vestida com este que está. Não há problema, poderá me devolver depois.  
 - Obrigado.

Quando Cam já estava saindo, depois de receber de Lois o seu vestido de veludo azul escuro, agradeceu a eles mais uma vez, e deu os primeiros passou porta à fora. Lois disse ao irmão que ele deveria acompanhar Cam pois era um longo caminho e eles teriam a certeza que ela ficaria bem. Ele então ofereceu-se a fazer isso e, embora relutante no início, Cam acabou aceitando devido à insistência de Lois e Landon. Assim, eles foram caminhando pela estrada que beirava à floresta e logo iniciou-se uma conversa.

Sonho e Medo - Capítulo 1 - Profundo sonho

 Era uma fria tarde do mês de Agosto e lá estava Cameron... Sozinha, estendida entre as folhas e árvores da floresta que não era muito afastada de sua casa. Ela havia caminhado para lá para se perder, se esquecer, e apagar certas lembranças de sua mente, mas em vez disso ela foi relembrada ainda mais do que queria esquecer. Ela tinha caminhado até o riacho no interior da floresta para olhar seu rosto refletido nas águas...

 Mergulhou o mais profundo que pode para tentar afogar no riacho as lembranças que rondavam sua mente, mas ainda submersa, viu o rosto daquele que ela queria esquecer e agoniou-se querendo emergir mas sem conseguir. Engolindo grandes goles d'água e lutando consigo mesma para voltar à superfície, conseguiu aos poucos aproximar-se da margem. Mas ainda sufocando e sem conseguir abrir os olhos, ao tentar levantar-se para sair totalmente da água e recolher-se em terra firme, suas pernas lhe falharam e ela bateu sua cabeça em uma pedra na margem do rio. Com apenas a pouca força que lhe restava, pode apenas ficar com uma parte de seu corpo fora d'água pois suas pernas ainda permaneceram nelas. Depois de alguns minutos conseguiu arrastar-se aos poucos para fora do riacho. E lá ela se encontrava: sozinha, estendida entre as folhas e árvores da floresta. Tossindo para expelir a água de seus pulmões, e sentindo a dor da pancada em sua cabeça. O frio passou a percorrer os ares da floresta e a atingiu... Com a força do resultado do ferimento em sua cabeça ela acabou por adormecer, ou desmaiar. O corpo dela estendido ao chão da floresta, com as roupas molhadas, sentia o frio e então tremia. Como sinal do que lhe ocorria, seus lábios perdiam o rosado e tornavam-se um tanto azulados. Mas ela ali estava, inconsciente e não apresentava sinais de luta para recuperar-se.

 Passos surgiram próximo ao local onde ela se encontrava, Cam nada ouvia, estava adormecida. Aos poucos os passos tornaram-se mais audíveis e então, o dono dos passos, ajoelhou-se ao lado de Cam. Olhou-a, e fixou-se no rosto dela. A pele extremamente branca e pálida, o corte profundo na testa ainda sangrando, os lábios azulados. O clima ficava cada vez mais frio e ele então deu-se conta das vestes molhadas dela. Sua expressão traduzia o que pensava: “Como aquela garota estava ali? O que havia ocorrido? Quanto frio ela deveria estar sentindo? Apenas com aquele longo vestido de veludo azul escuro totalmente molhado? Ela morrerá se ficar aqui...”

 Com profunda preocupação por aquela garota que ali estava, decidiu ajudá-la, mesmo não a conhecendo. Ao tocar nela, sua mão surpreendeu-se com o calor que ela emitia, pois tinha febre. Ele então, retirou de seus ombros sua longa capa preta, um sobretudo, e a envolveu com ele para protegê-la. Movendo seus braços, tomou-a em seu colo e a carregou pela floresta, passando por entre muitas árvores enquanto o frio invadia ainda mais a floresta que já perdia a luz do sol para a noite. A noite que roubava a cena, enquanto a luz solar era trocada pela luz das estrelas e da Lua. Que roubava o pouco ar quente do dia e invadia com sua brisa e ventos frios. A noite que tirava os raios de luz por entre as árvores da floresta e tornava tudo sem brilho, sem vida, colocava aquele lugar em profunda escuridão.  

Até que chegou em sua casa, e foi recebido por sua irmã surpresa ao ver a garota que ele carregava. Ela imediatamente deu passagem a ele e o seguiu até o quarto para onde ele a levou. Preocupada com a jovem estranha que seu irmão trazia, ela indagou a ele:
 - Onde a encontrou? Quem é ela?
 - Não sei. Mas estava um pouco afastada da margem do rio, com este corte na cabeça e as roupas dela estão completamente molhadas. Arranje roupas para ela minha irmã, enquanto isso prepararei algo para cuidar do ferimento dela.  
 - Sim, farei isso agora. Antes de entrar quando voltar com os curativos, bata na porta para ter certeza que eu já tenha trocado as vestes dela.
Prontamente, Lois arrumou roupas para Cam e a vestiu. Ajeitou os travesseiros para que a hóspede estranha ficasse bem acomodada. Cobriu-a devido aos calafrios ocasionados pela febre. Logo seu irmão retornou e ela o permitiu entrar no quarto. Ele está com curativo e compressas para baixar a febre. Cuidaram dela e depois a deixaram descansar. Já fora do quarto Lois indagou ao irmão como ele havia encontrado e ele então contou a irmã. Disse-lhe que estava andando pela floresta e a avistou ao chão.

 - Não a conhece? Não havia alguém próximo ou com ela? - indagou Lois.
 - Não. E quase ninguém anda por essa floresta Lois. Não havia ninguém com ela e ela estava longe demais de qualquer lugar em que alguém pudesse estar perto ou conhecê-la.
 - Ninguém além de você caminha quase sempre por lá. Então se você não estivesse lá hoje, ela poderia morrer e ninguém saberia por algum tempo. Se ela não acordar logo, teremos que descobrir de onde ela é e quem a conhece por que com toda certeza irão procurá-la.
 - Sim, mas eu não creio que ela acorde antes do amanhecer. Vou sair e voltar para as proximidades de onde ela estava e procurar por casas e pessoas pro lado de onde ela deve ter vindo. Cuide dela.
 - Sim vá, eu cuidarei dela.

Lois permaneceu cuidando de Cam, colocando compressas sobre a testa dela para manter a febre baixa e certificar-se que Cam se recuperava. Lois preparou algo para sua hóspede comer caso acordasse, e depois a deixou no quarto e foi cuidar das roupas molhadas.
Enquanto isso, o irmão de Lois voltou ao lugar onde encontrou Cam e andou dali em diante, procurando por pessoas ou alguém que talvez pudesse estar dando falta de uma garota perdida. Mas foi em vão. Ele não podia simplesmente sair perguntando a alguém se alguma garota havia sumido, se alguém a conhecia enquanto nem ele mesmo sabia o nome dela, não sabia nada dela. Era em vão procurar por alguém que nem ele mesmo conhecia ou tinha qualquer conhecimento. Retornou para casa.
Eles moravam como que do outro lado da floresta. Se seguissem pela estrada ela daria a volta e lá poderia encontrar a casa deles. Do lugar onde ele encontrou Cam até à casa não era muito longe. Mas de onde Cam morava até onde ela estava quando ele a viu era 3 vezes a distância da floresta à casa dele.

 - Teremos que esperar até que ela acorde Lois. Não temos como descobrir nada, nem ao menos sabemos o nome dela.
 - Sim é verdade. Não há problemas, ela dormirá aqui e tenho certeza que amanhã estará melhor e poderemos ajudá-la.
 - E como ela esta?
 - Estava tossindo à pouco, mas já parou um pouco. Fiz com que ela engolisse uma colher de mel e limão, para melhorar um pouco. Mas só posso dar algo forte a ela quando acordar.
 - Espero que ela fique bem. E as roupas?
 - Estava cuidando delas agora, vou voltar a fazer isso. 
 - Sim, eu irei vê-la.

Ele entrou no quarto então e avistou Cam dormindo. Fez uma compressa e colocou sobre a testa dela visto que a febre ainda queria voltar. Ele estava sentado em uma cadeira de madeira ao lado da cama onde ela estava repousando, e a observava intrigado com as circunstancias em que ele a encontrou. Enquanto ao lado dela, Cam voltou a tossir um pouco mas logo parou. Depois de algumas horas, Lois e o irmão foram dormir e deixaram Cam dormindo no quarto em que ela estava. A casa tinha 3 quartos, e onde ela estava era o antigo quarto dos pais de Lois e o irmão, que morreram em um acidente carro devido à uma tempestade há 3 anos.
Pela madrugada, o irmão de Lois ouviu murmúrios vindos do quarto de Cam e logo preocupou-se em que ela estivesse sentindo algo. Correu para o quarto e quando a viu, ela dormia, mas derramava lágrimas pelos olhos. Ela chorava dormindo. Ele concluiu que ela delirava devido à febre, mas ao colocar sua mão sobre o rosto dela, a febre estava baixa. Não eram delírios, deveriam ser pesadelos, algo que a perturbava. Ali ele ficou o resto da noite, observando aquela garota e completamente mergulhado em seus pensamentos sobre quem era ela, o que a levou a estar na floresta e machucar-se, e agora queria saber o que ela levava em sua mente que a fazia sofrer dormindo. A olhava totalmente intrigado e a cada momento sua curiosidade aumentava sobre ela, desde apenas qual seria o nome dela até sobre quais eram as razões de todos aqueles acontecimentos. Depois de muito velar o sono dela, ele acabou adormecendo, ali, sentado na cadeira de madeira ao lado dela, com sua cabeça encostada na parede. E ali ficou até o amanhecer.