Cam e Landon se conhecem após ele salvar a vida dela. A partir daí criam-se laços; lembranças são trazidas novamente à superfície da mente de Cam e acontecimentos inesperados os obrigam a unirem-se para descobrirem a verdade e correm perigos que nem imaginam.


Sonho e Medo é um romance que envolve mistérios, descobertas, receios e acima de tudo sentimentos que surgem sem serem notados.


Uma história fictícia mas que reflete muitos sentimentos e atitudes reais que fizeram e ainda fazem parte da vida de muitas pessoas, ou poucas delas.

domingo, 17 de abril de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 8 - Encontro Medonho

  Cada vez mais a escuridão tomava o céu, a estrada e a paisagem. A luz que agora havia era das estrelas que surgiam aos poucos e da lua que lançava seu brilho sobre as densas florestas, as silenciosas ruas e as casas ao longe... bem longe. Os dois, ainda quietos ao que havia ocorrido com Cam, aos poucos se acalmaram. Quando notou que estava aconchegada aos braços dele, ela se reprimiu, deteve-se e recuou. Seus olhos com lágrimas secando e suas bochechas pouco coradas e lábios trêmulos pelo nervosismo e pelo frio que estava naquela noite não negavam seu desconforto com a situação presente.

- Desculpe eu não queria... Eu... Eu não... Desculpe Landon, desculpe...
- Ei! Não precisa se desculpar Cameron, as pessoas não devem se desculpar por terem problemas ou por terem lembranças ruins. Eu não quero que se desculpe, não quero que se arrependa a cada lágrima que derramar. Quero que confie em mim, que conte comigo, que me deixe ajudá-la... Cam... Por favor... Me diga o que tanto lhe atormenta, o que a faz sofrer tanto... Eu...
- Ei! O que vocês fazem aqui na minha propriedade? Saiam daqui agora!!! - disse um homem com vestes um tanto grosseiras, casacos grandes e antigos para o frio da noite, botas desgastadas, calça desbotada e velha. Ele tinha em uma das mãos um farolete e na outra segurava a corrente que prendia um cachorro que estava parado ao seu lado. Os dois encarando carrancudos à Landon e Cameron que se surpreenderam e nada entenderam.
- Desculpe... O senhor é?
- Não importa quem sou eu seu moleque, saiam daqui agora!!!
- Olha, isso aqui é uma estrada, como podemos estar na sua propriedade? Já passei, aliás passamos aqui diversas vezes, todos passam aqui porque é uma estrada, uma via pública, qualquer um pode passar. Além do mais não existe nenhuma propriedade aos arredores, eu conheço todo este lugar. Só há uma casa velha no lago, que é um tanto longe daqui e...
- A casa do lago é minha, eu moro lá e quero vocês fora daqui agora!
- Isso não dá o direito de querer nos expulsar de uma rua. A casa do lago pode ser sua mas não pode...
- Eu posso o que eu quiser, tudo aqui é meu se eu quiser, e é melhor saírem daqui agora se não quiserem que eu os tire à força... Aliás, eu não... - disse o velho olhando para o cachorro que já firmava as patas ao chão e deixava a dentição à mostra rosnando e dando alguns passos em direção à Landon e Cam.
- Cam, pra trás... - sussurrou Landon colocando-se na frente dela e protegendo-a.
- Eu não posso segurar meu cachorro por muito tempo... Ele é um tanto rebelde às vezes e não será dessa vez que ele irá me obedecer.
- Eu nunca vi o senhor por aqui... Não sei porque está fazendo isso...
- Cala a boca moleque!!! - disse o velho deixando o cão avançar um pouco mais.
- Nós vamos sair, aliás já estávamos indo até o senhor aparecer e nos ameaçar com esse seu cão... Como podemos ir se não tira esse... cachorro do nosso caminho?
- Cuidado como fala moleque... Eu seguro meu cachorro enquanto vocês saem da minha propriedade, mas se demorarem não sei se ele irá me obedecer...
- Vamos Cam... Com cuidado...

    Os dois um tanto amedrontados e completamente confusos e sem compreender nada da aparição daquele velho nunca visto e as ameaças que ele fizera com seu cão, foram andando devagar enquanto próximos do cão e seu dono, depois aceleraram o passo sem falarem um palavra se quer.
Quando já estavam a uma distância segura, já não podiam mais ver nem sinal do cão e do homem esquisito que havia aparecido. Continuaram andando intrigados com o que havia ocorrido e então pararam novamente já próximos à casa de Cam.

- O que... foi aquilo?
- Eu não sei. Aquele velho deve ser louco.
- Deve ser... Ele quer ser dono da estrada? Ele disse que mora na casa do lago, mas eu nunca vi ninguém lá você já viu?
- Não eu não vi... Na verdade não sei dizer. Mas como ele pode nos ameaçar com um cachorro?
- Cachorro não Landon... Brutamontes isso sim. Aquilo foi... esquisito.
- Ele é louco... Mas sabe, eu não entendi de onde ele surgiu.
- Se ele for uma criatura da noite como nós, explica aparecer de repente... Ele podia estar entre as árvores... Ao menos eu conheço alguém que já fez isso... ha ha ha ha...  
- Você está... rindo? Sua louca... Mas é verdade... Acabou sendo engraçado agora que estamos bem... Ele com toda certeza também é louco... ha ha ha
- Sabe... Foi legal como agiu... Obrigado por mais uma vez ter me protegido, obrigado Landon.
- Não quero que agradeça, você sabe. Sempre irei te proteger e quero que confie em mim, não importa o que aconteça ou o que já tenha lhe acontecido. Sempre estarei aqui.

   Cam tinha mais de uma prova de que Landon estava disposto a ajudá-la, ela via e sentia isso. Ele já lhe salvara a vida, e se preocupava com ela, e mostrou que sempre a protegeria. Ela sabia disso. Landon tinha certeza de que sempre estaria ao lado dela, e tinha confiança de que algum dia ela pudesse acreditar e confiar nele, e o deixasse saber o que a atormentava e consumia.

   O velho estranho que os ameaçou havia seguido-os de longe e os observava. Com sua expressão rude e raivosa, mascava uma noz de bétele, e segurava a corrente que prendia o cachorro que estava silencioso a comando do seu dono e deitado no chão por entre às árvores à distância de onde Landon e Cam estavam.

- Ainda não acabou Richard... Ainda não acabou... Se estiver com ela... Eu vou pegar o que você negou me dar...

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