Depois de alguns instantes, Cam retornou com xícaras de café, bolo e biscoitos para comerem. Permaneceram na sala de estar, sentados no sofá. Embora o clima estivesse frio, a casa era bem aquecida e os casacos eram deixados de lado, apenas usados quando fora dela. A manhã era cinza, nublada, fria e sem muita luz. Mas o vívido verde das folhas, a paisagem da floresta misturados ao acinzentado do céu davam um colorido ao dia que o tornava agradável, calmo e repousante.
Para Cam era algo diferente, estar ali com alguém que conheceu a tão pouco tempo, mas que já havia feito um dos maiores gestos de bondade e benignidade por ter salvo-lhe a vida. Ela também não fazia muita questão de se aproximar das pessoas, até porque essas não existiam e outros saberem de sua vida era algo que a incomodava. Mas para com Landon e Lois ela devia isso, ao menos a gratidão e agora a amizade que eles ofereciam a ela.
- E aquele quadro ali é seu por um acaso?
- É sim... você olhou na assinatura, he he he, por isso sabe que foi eu.
- É eu olhei, mas se não fosse a assinatura você não me diria que era seu diria?
- Não, não diria.
- E você ainda pinta? Eu quero ver mais quadros seus. Você é uma excelente artista, ao menos por este quadro.
- Os outros não estão aqui, estão no porão... Eu não pinto há um bom tempo.
- Poderia vê-los? Por que não pinta mais?
- Porque... Não sei, acho que não tenho mais inspiração ou vontade pra isso. Já faz um bom tempo.
- E sobre o que pintava?
- Vem... Eu posso mostrar pra você.
Landon segui-a então até o porão, onde Cam guardava seus quadros. Quando começou a ver todas as pinturas, ele ficou impressionado. Elas eram criativas, algumas alegres e outras tristes, lindas, admiráveis e bem feitas. Ele a elogiou, e indagou o porque de cada uma. Até que perguntou novamente a ela o porque de não mais fazer os belos desenhos. Ela hesitou em responder, apenas repetindo o que já havia dito, sobre não ter inspiração.
- Sabe uma das coisas que gosto muito de fazer quando não tenho nada para fazer além de tocar piano?
- Não, qual?
- Dançar. Mas as músicas mais clássicas, ou aquelas dos antigos bailes do século 19 se lembra? Já ouviu alguma?
- Rá, rá ,rá, claro que sim, são músicas que gosto muito de ouvir, mas não danço.
- Eu e Lois vivemos nos divertindo assim em casa quando não temos ideia do que fazer. Mas, porque não dança?
- Eu não sei, eu acho. Só prefiro escutar.
- Ah não, agora terá de dançar! Eu lhe ensino!
- Não de jeito nenhum eu...
- Sim, irá, rá, rá, rá...
Landon tomou as mãos de Cam e retornaram para a sala. De tanto ele insistir, Cam colocou a música e ele lhe pediu a dança. Riram, divertiram-se, ela pisou no pé dele diversas vezes até que aprendeu como se dançava. Até que se cansaram e sentaram ao sofá ainda rindo-se de tudo. Depois Landon teve de despedir-se pois Lois deveria estar preocupada com ele.
Cam depois de muito tempo, esbanjou sorrisos naquele dia, e se divertiu por ter a companhia de seu bem feitor. Ela agora se agradava da ideia em poder ter a Lois e Landon como bons amigos e únicos. Ela retornou ao porão, e lá ficou sentada por um bom tempo apenas olhando para uma das pequenas janelas, depois olhou para seus pincéis e sua paleta de cores. Sorriu, tomou uma tela nas mãos, colocou-a no suporte e começou a pintar novamente.
Landon ao chegar, contou à sua irmã o que havia ocorrido e ela já imaginava por onde ele esteve. A conversa foi longa e divertida e ela fez uma sugestão à Landon que ele concordou prontamente.
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