Cam e Landon se conhecem após ele salvar a vida dela. A partir daí criam-se laços; lembranças são trazidas novamente à superfície da mente de Cam e acontecimentos inesperados os obrigam a unirem-se para descobrirem a verdade e correm perigos que nem imaginam.


Sonho e Medo é um romance que envolve mistérios, descobertas, receios e acima de tudo sentimentos que surgem sem serem notados.


Uma história fictícia mas que reflete muitos sentimentos e atitudes reais que fizeram e ainda fazem parte da vida de muitas pessoas, ou poucas delas.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sonho e Medo - Capítulo 3 - Lembranças

- Então, porque estava na floresta?
- Eu... sempre ando por lá.  
- Eu nunca tinha lhe visto. E olha que ando por aquela floresta há anos.
- Então nunca pode me encontrar antes. Claro, agora encontrou uma vez.
- E será que irei novamente?
- Não sei. Eu prefiro ir sempre sozinha, para não correr o risco de encontrar alguém por lá. E ontem, eu não esperava que alguém me achasse.
- Mas pelo seu bem eu pude ajudá-la. Porque estava lá? Como mergulhou e bateu a cabeça, e ficou pelo chão da floresta sem mais nem menos? O que realmente aconteceu?
-Eu não menti. Isso aconteceu, eu só... Eu perdi o controle enquanto mergulhava e acabei quase me afogando. Quando consegui me aproximar da margem eu bati minha cabeça e depois apenas consegui me arrastar para onde me encontrou e... Enfim, você me encontrou.
- Porque perdeu o controle? O que lhe atormentou?
- Nada... Nada.
- Por um acaso, é a mesma coisa que lhe perturbou enquanto dormia?
- Não. Nada me perturbava.
- Porque então chorava? Eu estava ao seu lado, eu a vi chorar... Eu só quero ajudá-la...
- Então não me pergunte mais nada. Landon, eu... eu agradeço muito o que fez por mim, lhe devo a minha vida e não sei como poderei algum dia pagar isso...
- Pode pagar me dizendo se algum dia desses ainda a verei novamente.
- Hum... Isso é algo tão mínimo... Mas sim, verá.
- E quando?
- Não sei. Mas eu não costumo estar na floresta durante o dia, aquele foi uma exceção. Bem, é melhor você voltar agora, já estou perto de minha casa e... Bem, muito obrigado e agradeça sua irmã mais uma vez por mim.
- Eu farei isto. Espero vê-la de novo realmente e totalmente bem da próxima vez. Cuide-se Cam.  

    Landon fez o caminho de volta, enquanto Cam seguia para casa. Em um certo ponto, ela parou e olhou para trás e ainda podia avistar Landon, e ficou o observando por alguns instantes. Querendo ou não, o modo como ele olhava e falava havia a deixado intrigada. Cam sentiu que ele assim como ela, também tinha um ar misterioso. Agora ela não poderia esquecer de duas pessoas que lhe fizeram um imenso bem, e teria de voltar a ve-los ao menos para devolver o vestido e a capa de Lois que lhe foi cedida.

    Depois de voltar a caminhar e passados alguns minutos, Cam chegou a sua casa. Não era muito afastada da vizinhança, mas o suficiente para que ela saísse a hora que quisesse sem ninguém ver quando e onde ela ia. Por isso sempre ia as florestas pela noite e ninguém nunca sabia ou a seguia. A casa não era tão nova, mas bem conservada. Já havia sido construída há 20 anos pelos pais de Cameron. O pai dela havia morrido de uma forma misteriosa na floresta que ninguém sabia, quando o encontraram ele estava com fraturas na costela e na cabeça. Nada puderam fazer para salvá-lo. A mãe, cuida da avó que está idosa e doente e não pode ficar sozinha. Então Cam ficou na casa, até porque não podiam deixar o local vazio, sem ninguém. Ela vê a mãe aos fins de semana. Fora isso, espera pelo início das aulas na Universidade e enquanto isso faz trabalhos relacionados à arte. No porão de sua casa existem dezenas de quadros pintados por ela, mas pouco vai lá ultimamente.

    Sentada no sofá de sua casa, olhando para a janela que dá vista as árvores da floresta, Cameron mergulhada em seus pensamentos depois de muito lutar consigo mesma, com seus olhos, coração e lágrimas, não pode mais segurá-las. Desabou a chorar e lá ficou por horas. Quando não suportou mais, caiu ao sofá e adormeceu.
    Pelo início da noite, ela comeu alguma coisa, e não aguentou ficar na casa por muito tempo e vestiu um de seus casacos longos e saiu para a floresta. Ainda enquanto andava, as lágrimas queriam lhe voltar à face, mas depois de algumas poucas, conteve-se e secou o rosto. Para lá ela ia: à beira do riacho, pensar, refletir, olhar o céu, que era uma das coisas que fazia com seu pai quando ele ainda era vivo. Provavelmente passaria a noite lá, como de costume.
    Para Cam a bela paisagem da floresta à luz da noite, da lua e estrelas era imbativelmente a mais agradável e atrativa. Ela gostava de uma árvore em especial que havia um pouco afastada da margem do riacho. Ficou próxima por um bom tempo, rodeou a árvore, olhou inúmeras vezes para cima, para os galhos, as folhas, e depois sentou-se à beira do riacho. Lá ficou com seus pensamentos em completo silencio e solidão até que algo interviu nisto.

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